segunda-feira, 27 de maio de 2019

Prometo ser-te...






Esses são os votos tradicionais que são feitos em cerimônias de casamento. E são lindas palavras, não são?
Massa que são palavras ditas entre um casal apaixonado, mas nos últimos dias pensei nelas para aplicar em relações do cotidiano, não necessariamente relacionadas à paixão, mas relações fortes entre amigos, entre familiares, enfim...
Claro que são votos fortes, que não se usa cotidianamente, tampouco se aplica no dia a dia. Mas se pararmos pra pensar, não é o tipo de fidelidade que esperamos nos mais diversos tipos de relações que temos?
Isso não se aplica as pessoas que são solitárias e gostam de viver na sua solidão, mas é natural os seres humanos criarem e manterem relações interpessoais, isso é da vida, é saudável.
E em casos em que a paixão acaba, o que fica? Na prática, eu sei que o que fica é uma relação de amizade muito forte, onde um pode sempre contar com o outro. Felizmente tenho dezenas de pessoas que são testemunhas disso, principalmente os meus ex-namorados.  
Comecei a pensar, nos tais votos, nos últimos dias, enquanto estive, mais uma vez, sofrendo com as dores crônicas que têm me acompanhado nos últimos anos. Hoje descobri que o tratamento, que um dia já foi eficaz, já não estava funcionando. E foi difícil ouvir isso, parece que foi um tempo perdido, mas também foi um alívio, pois não era só minha culpa tudo o que tem acontecido.
As dores têm me levado a um estado onde eu não pareço eu. Tenho ficado irritada, deprimida, sensível e desanimada. A desesperança prevalecendo em mim. E quanto mais isso vinha se intensificando, menor era o contato com as pessoas.
Cada um por seus motivos e especificidades, e devemos entender e respeitar isso. Mas salvo tais exceções, é natural que as pessoas não queiram ficar perto de “problemas”. Mas e quando o “problema” for uma pessoa que não é um problema, mas está passando por um problema? É de se afastar também?
Talvez, quando a pessoa não é tão importante ou quando mal a conhecemos. Mesmo assim, isso me soa bem estranho... 
Descobri nos últimos dias que algumas das frases desse voto não se aplicam a certas relações, pois vi pessoas se afastarem de mim por estar “na doença e na tristeza”, e o mais surpreendente é que ao mesmo tempo em que algumas se afastaram, outras se aproximaram. É muito doido isso, mas parece que trouxe um sopro de esperança na humanidade.
Não se faz nada pensando em retribuição e sei que esse apoio que venho recebendo é sincero, apoio que vem mesmo quando eu mesma tento me afastar e não receber ajuda, quando penso que não há solução. Mas não tem como não pensar que esse apoio que recebi é também um pouco porque plantei coisas boas.
Pode até não ser bom, e às vezes penso ser um defeito, mas sou meio altruísta e gosto de ajudar. É estranho, mas os momentos que me fazem mais feliz é quando posso ajudar alguém. Me sinto viva, me sinto útil. E quando esse alguém não precisa mais de ajuda, é recompensador! Então, ajudar alguém ou simplesmente estar perto, ajuda mais a mim mesma do que ao próximo.
Pensando nisso, acho que quem mais perdeu com essa minha fase dolorida não fui eu, mas quem se afastou de mim. E eu, a cada dia, tenho mais certeza de que sou muito amada... pode não ser por muuuuitas pessoas, mas pessoas valorosas.
Nunca troquei votos de casamento com ninguém, mas com toda a certeza sei que tenho tais votos, na prática, na minha vida, e só tenho a agradecer por isso.
Pra finalizar, quero contar uma história que ouvi hoje, que aconteceu no interior do estado e que tem tudo a ver com esse lance de fidelidade, companheirismo e altruísmo.
Trata-se de um rapaz, de 49 anos, morador de rua, que capinou um jardim para, com o pagamento, comprar remédio para seu cachorro , seu companheiro que também morava na rua, e um cobertor para eles. Mas dois dias depois, ele e seu cão foram encontramos mortos, abraçados um ao outro. Morreram de frio.
Essa história é triste, com certeza, mas tem também lições a serem tiradas.
A vida desse rapaz altruísta vale mais do que de qualquer outra pessoa que só pense em si mesma. E o exemplo dele terá muito mais serventia do que exemplos de pessoas egoístas.
E posso apostar que ele, mesmo nas precárias condições, foi mais feliz do que uma pessoa que só pense em si um dia foi ou será.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Quando você não é o tudo de alguém


Recebi de uma amiga com a seguinte frase “deve ser por isso que não caso”.
E caiu como uma luva pra mim neste momento.
Achei que poderia cair como uma luva para outras pessoas e compartilhei no “status” do whatsapp e fiquei surpresa com o volume de mulheres respondendo ao compartilhamento, o que me levou a pensar “que porra que tá havendo com os relacionamentos?”.

Hoje em dia a moda é “amor livre”, mas o quê isso quer dizer?
Juro que entendo algumas amigas quando falam que é legal ter um relacionamento aberto, consigo ver algumas vantagens e acho até maduro. Mas descobri, especialmente nas últimas semanas, que sou muito ultrapassada para esses tempos modernos. E descobri que tem muita mulher que concorda comigo, ao menos quanto a banalidade em que virou os relacionamentos.

Fui criada acreditando em príncipes encantados e em demonstrações lindas de amor e ao não ter nada disso, fui levada a pensar: “o quê tem de errado comigo?”.
Hoje sei que príncipes encantados não existem e demonstrações lindas de amor tem prazo de validade, ao menos pelo o que vejo nos relacionamentos. Nem quero ser princesa, chata e fútil. 
Mas não quer dizer que não possa existir amor verdadeiro, daquele que faz o coração acelerar e te faz suspirar... mas nesses tempos modernos? 
Vejo sempre a mesma reclamação, “os caras só querem ficar”, e vejo muitas mulheres nesse clima também. E a justificativa é sempre a mesma, de que é mais divertido e se tiver que ser, vai durar. Nunca dura, e pelo menor motivo.

Minha mãe dizia que eu era “a namoradeira” das filhas, pois enquanto eu estava namorando, minhas irmãs continuavam solteiras sem ficarem com ninguém. E eu era mesmo, adorava namorar. Adorava namoros longos e toda aquela cumplicidade, e por duas vezes pensei em me casar.
Hoje, minhas manas casaram e eu sou a solteira, sem nunca ter casado aos 37 anos. E sem namorar há quatro longos anos, quase cinco.
No início da minha solteirice achei legal, queria mesmo ficar solteira. 
E querer ficar solteira é não se envolver com ninguém, não passar todos os finais de semana com uma pessoa, não viajar com essa pessoa, não agir como se estivesse num relacionamento quando não estou.
Minha solteirice durou por volta de um ano, um ano sem ficar com ninguém. 
Era o tempo que precisava para me curar. 
E quando resolvi que poderia, enfim, ficar com o coração aberto para me apaixonar de novo, caí nesse novo mundo moderno, com 34 anos de idade, onde namoro é só para “as novinhas”, ao que parece. E eu sou a velhinha.

Recentemente me envolvi num relacionamento em que o cara “não estava pronto” para namorar, tinha saído há um ano de um longo casamento. 
Mas estava pronto pra viajar comigo, pra passar todos os finais de semana e alguns dias de semana comigo, pra compartilhar tantas coisas em tão pouco tempo. 
Mas eu, como tantas outras mulheres, disse que aceitava aquela situação. Afinal, tínhamos uma relação tão legal, uma parceria que não se encontra com qualquer pessoa. E pensava “em algum momento ele vai superar”, como se o problema fosse realmente o término do antigo relacionamento. Muitas de nós são assim, achamos que podemos ajudá-los a superarem o que dizem precisar superar, ajudá-los a “se decidirem”.

E por algum tempo o relacionamento tem momentos lindos, enquanto tu te sente única e especial. 
Ele te conta as fragilidades dele, tu retribui contando também. 
Tu faz coisas que nunca fez com mais ninguém e evita pensar que tu é só mais uma, tenta se apegar só aos momentos bons. 
Tenta ignorar quando ele não te leva mais para os encontros com os amigos dele, mesmo se os amigos estiverem do outro lado da rua.
Tenta ignorar quando alguma amiga dele, que encontram por acaso, “apresenta pretendente pra ele” enquanto tu estás ao lado dele.
Tenta ignorar quando sabe que ele sai bastante sozinho pra noite dias de semana e não faz muita questão que tu estejas junto, mesmo quando ele sabe que são coisas que tu adora.
Tenta ignorar quando ele, fala a um mendigo quando o mesmo pergunta, responde veementemente que tu não é esposa e nem namorada, e titubeia pra dizer que é ficante, poucos dias depois de tu ter feito o que nunca tinha feito antes, achando que ele era especial e que tu também era especial.
A história se repete, o que é especial pra gente não significa nada pra eles.

Mas ainda existe esperança, os amigos! 
Quando alguém que se importa contigo chega e te diz: “cai na real, olha como ele te tratou!”, tu resolve ouvir do cara o que realmente aconteceu, vai que ele diga que foi impressão tua, que ele não fez por mal e que ainda gosta muito de estar contigo e que tá animado para os planos que fizeram para daqui a dois dias. Claro que tu pode viajar um pouco mais, afinal se criou pensando em príncipes encantados, e pensa que ele pode dizer “chega disso, eu quero ficar só contigo, quero te conhecer melhor, vamos namorar?”.
Porque até onde eu sabia, namoro era isso. Namoro não era casamento. Namoro era para se conhecerem melhor, depois vinha o noivado quando faziam planos para casar e depois vinha o casamento. E a maioria dos namoros não dava em casamento. 

Mas hoje em dia, nos tais tempos modernos, as pessoas ficam como se namorassem, mas ficam com várias pessoas como se namorassem várias pessoas. Soa muito careta se eu disser que não curto isso?
De boas, quem mais se aproveita disso é os caras, que nunca precisaram estar solteiros para sair “pegando” quem quisessem, a diferença é que agora eles têm o aval das mulheres.
O meu aval não. 
Se eu tô me interessando por alguém, eu quero ficar só com ele. 
Quero conhecer ele melhor, e só ele. E como vou fazer isso ficando com um e com outro? Não dá! Sei, isso soa careta. Já mal consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, imagina tentar conhecer melhor dois caras ao mesmo tempo!

Entendo que nós estamos libertas de tradições e de relações que nos aprisionavam a convenções ridículas, entendo que tem mulher que não quer namorar. Entendo que algumas não têm nem tempo pra isso.
Mas para as que são sonhadoras como eu, não somos obrigadas a nos submeter a situações como essas, onde significamos tão pouco para os outros.
E também não somos obrigadas a nos submeter a ter uma relação com alguém que não amamos porque a pessoa nos ama, só para não ficarmos sozinhas.

A vida é assim, sempre haverá confronto de interesses em algum momento das nossas vidas, porém nunca se deve usar ou maltratar ninguém.
Não tá pronto pra namorar? Não quer um relacionamento? 
Esse mundo moderno é realmente bem atrativo. 
Então que se aproveite o que tem nele e fique só nele, não tem como ter as duas coisas ao mesmo tempo: três dias por semana e férias, numa relação como se estivesse namorando, e nos demais dias, mundo moderno onde a outra pessoa não significa nada. Não é nada legal... E não existe essa história de “falei a verdade, disse que não queria namorar”. As ações falam mais do que qualquer palavra, e uma pessoa apaixonada vai acreditar no que mais convém. 
Um pouco de empatia no mundo, é o que precisamos!
Não se faz para outras pessoas o que não queremos que nos façam, ou que façam para alguém que gostamos. É tão simples... 

No fim, o quê quer dizer “a indecisão de alguém”?
Quer dizer que, a pessoa pode ficar indecisa sobre se quer continuar te conhecendo, então namorando, ou vai cair fora. 
Mas para as pessoas sem empatia, quer dizer que quando tu não servir mais para aplacar a solidão dela, não importa nada do que tu tenha feito de especial, ele vai usar qualquer desculpa pra te dar um belo de um chute, talvez até te ofender, e daqui a pouco vai aparecer namorando (sim, namorando) com uma mulher que vai te fazer pensar “eu fui bem pouco pra ele mesmo”.
Talvez isso te leve a acreditar que não era boa o suficiente, que agiu como uma doida desconfiada, mas tu não pode esquecer nunca em como uma situação que te deixa insegura pode abalar a tua autoestima e essa mesma insegurança pode afetar até o teu dia-a-dia, onde tu não é mais tu e passa a não acreditar mais em si mesma. 

É importante saber que a “indecisão de alguém” não pode durar mais do que alguns dias. 
Nunca, jamais, “a indecisão de alguém” pode durar mais de um mês, senão isso tem outro nome: canalhice.
Fuja disso! Não somos inferior a ninguém, somos maravilhosas e sobreviventes, não precisamos desse tipo de relação.
É preferível “ir embora” e ficar sozinha nesse novo mundo moderno, mas sabendo que um dia, bem no passado, tu já foste um tudo para alguém.
Melhor não ser nada para ninguém do que ser só mais uma, ou deixar que te façam se sentir só mais uma.
E algumas irão concordar comigo que não é melhor ter só mais um, há um tudo pra ti.
Se o que pensamos que poderia ser o nosso tudo agiu como só mais um, é porque talvez é o que ele seja.
E bola pra frente, somos mulheres e sempre teremos umas as outras. 

Trilha: Pearl Jam - Just Breathe

Texto: Crisane Michel