Recebi de uma amiga com a seguinte frase “deve ser por isso que não caso”.
E caiu como uma luva pra
mim neste momento.
Achei que poderia cair como uma luva para outras pessoas e compartilhei
no “status” do whatsapp e fiquei surpresa com o volume de mulheres respondendo
ao compartilhamento, o que me levou a pensar “que porra que tá havendo com os
relacionamentos?”.
Hoje em dia a moda é “amor livre”, mas o quê isso quer dizer?
Juro que entendo algumas amigas quando falam que é legal ter um relacionamento
aberto, consigo ver algumas vantagens e acho até maduro. Mas descobri, especialmente nas últimas semanas, que
sou muito ultrapassada para esses tempos modernos. E descobri que tem muita
mulher que concorda comigo, ao menos quanto a banalidade em que virou os
relacionamentos.
Fui criada acreditando em príncipes encantados e em demonstrações lindas
de amor e ao não ter nada disso, fui levada a pensar: “o quê tem de errado
comigo?”.
Hoje sei que príncipes encantados não existem e demonstrações lindas de amor tem
prazo de validade, ao menos pelo o que vejo nos relacionamentos. Nem quero ser princesa, chata e fútil.
Mas não quer dizer que não possa existir amor
verdadeiro, daquele que faz o coração acelerar e te faz suspirar... mas nesses
tempos modernos?
Vejo sempre a mesma reclamação, “os caras só querem ficar”, e vejo muitas
mulheres nesse clima também. E a justificativa é sempre a mesma, de que é mais divertido e se tiver que ser, vai durar. Nunca dura, e pelo menor motivo.
Minha mãe dizia que eu era “a namoradeira” das filhas, pois enquanto eu
estava namorando, minhas irmãs continuavam solteiras sem ficarem com ninguém. E
eu era mesmo, adorava namorar. Adorava namoros longos e toda aquela cumplicidade, e por duas vezes pensei
em me casar.
Hoje, minhas manas casaram e eu sou a solteira, sem nunca ter casado aos
37 anos. E sem namorar há quatro longos anos, quase cinco.
No início da minha solteirice achei legal, queria mesmo ficar solteira.
E querer ficar solteira é não se envolver com ninguém, não passar todos os
finais de semana com uma pessoa, não viajar com essa pessoa, não agir como se
estivesse num relacionamento quando não estou.
Minha solteirice durou por volta de um ano, um ano sem ficar com ninguém.
Era o tempo que precisava para me curar.
E quando resolvi que poderia, enfim,
ficar com o coração aberto para me apaixonar de novo, caí nesse novo mundo
moderno, com 34 anos de idade, onde namoro é só para “as novinhas”, ao que parece. E eu sou a velhinha.
Recentemente me envolvi num relacionamento em que o cara “não estava
pronto” para namorar, tinha saído há um ano de um longo casamento.
Mas
estava pronto pra viajar comigo, pra passar todos os finais de semana e alguns
dias de semana comigo, pra compartilhar tantas coisas em tão pouco tempo.
Mas
eu, como tantas outras mulheres, disse que aceitava aquela situação. Afinal,
tínhamos uma relação tão legal, uma parceria que não se encontra com qualquer
pessoa. E pensava “em algum momento ele vai superar”, como se o problema fosse
realmente o término do antigo relacionamento. Muitas de nós são assim, achamos
que podemos ajudá-los a superarem o que dizem precisar superar, ajudá-los a “se
decidirem”.
E por algum tempo o relacionamento tem momentos lindos, enquanto tu te
sente única e especial.
Ele te conta as fragilidades dele, tu retribui contando
também.
Tu faz coisas que nunca fez com mais ninguém e evita pensar que tu é só
mais uma, tenta se apegar só aos momentos bons.
Tenta ignorar quando ele não te
leva mais para os encontros com os amigos dele, mesmo se os amigos estiverem do outro lado da rua.
Tenta ignorar quando alguma
amiga dele, que encontram por acaso, “apresenta pretendente pra ele”
enquanto tu estás ao lado dele.
Tenta ignorar quando sabe que ele sai bastante
sozinho pra noite dias de semana e não faz muita questão que tu estejas junto, mesmo quando ele sabe que são coisas que tu adora.
Tenta ignorar quando ele, fala a um mendigo quando o mesmo pergunta, responde veementemente que
tu não é esposa e nem namorada, e titubeia pra dizer que é ficante, poucos dias
depois de tu ter feito o que nunca tinha feito antes, achando que ele era
especial e que tu também era especial.
A história se repete, o que é especial pra gente não significa nada pra
eles.
Mas ainda existe esperança, os amigos!
Quando alguém que se importa
contigo chega e te diz: “cai na real, olha como ele te tratou!”, tu resolve
ouvir do cara o que realmente aconteceu, vai que ele diga que foi impressão tua,
que ele não fez por mal e que ainda gosta muito de estar contigo e que tá
animado para os planos que fizeram para daqui a dois dias. Claro que tu pode
viajar um pouco mais, afinal se criou pensando em príncipes encantados, e pensa
que ele pode dizer “chega disso, eu quero ficar só contigo, quero te conhecer
melhor, vamos namorar?”.
Porque até onde eu sabia, namoro era isso. Namoro não era casamento.
Namoro era para se conhecerem melhor, depois vinha o noivado quando faziam
planos para casar e depois vinha o casamento. E a maioria dos namoros não dava
em casamento.
Mas hoje em dia, nos tais tempos modernos, as pessoas ficam como se
namorassem, mas ficam com várias pessoas como se namorassem várias pessoas. Soa muito careta se eu disser que não curto isso?
De boas, quem mais se aproveita disso é os caras, que nunca precisaram
estar solteiros para sair “pegando” quem quisessem, a diferença é que agora
eles têm o aval das mulheres.
O meu aval não.
Se eu tô me interessando por alguém, eu quero ficar só
com ele.
Quero conhecer ele melhor, e só ele. E como vou fazer isso ficando com
um e com outro? Não dá! Sei, isso soa careta. Já mal consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, imagina tentar conhecer melhor dois caras ao mesmo tempo!
Entendo que nós estamos libertas de tradições e de relações que nos aprisionavam a convenções ridículas, entendo que tem mulher que não quer namorar. Entendo que algumas não têm nem tempo pra isso.
Mas para as que são sonhadoras como eu, não somos obrigadas a nos submeter a situações como essas, onde
significamos tão pouco para os outros.
E também não somos obrigadas a nos submeter a ter uma relação com alguém
que não amamos porque a pessoa nos ama, só para não ficarmos sozinhas.
A vida é assim, sempre haverá confronto de interesses em algum momento
das nossas vidas, porém nunca se deve usar ou maltratar ninguém.
Não tá pronto pra namorar? Não quer um relacionamento?
Esse mundo
moderno é realmente bem atrativo.
Então que se aproveite o que tem nele e fique só
nele, não tem como ter as duas coisas ao mesmo tempo: três dias por semana e
férias, numa relação como se estivesse namorando, e nos demais dias, mundo
moderno onde a outra pessoa não significa nada. Não é nada legal... E não existe essa história de “falei a verdade,
disse que não queria namorar”. As ações falam mais do que qualquer palavra, e
uma pessoa apaixonada vai acreditar no que mais convém.
Um pouco de empatia no mundo, é o que precisamos!
Não se faz para outras pessoas o que não queremos que nos façam, ou que
façam para alguém que gostamos. É tão simples...
No fim, o quê quer dizer “a indecisão de alguém”?
Quer dizer que, a pessoa pode ficar indecisa sobre se quer continuar te
conhecendo, então namorando, ou vai cair fora.
Mas para as pessoas sem empatia,
quer dizer que quando tu não servir mais para aplacar a solidão dela, não importa nada do que tu tenha
feito de especial, ele vai usar qualquer desculpa pra te dar um belo de um
chute, talvez até te ofender, e daqui a pouco vai aparecer namorando (sim,
namorando) com uma mulher que vai te fazer pensar “eu fui bem pouco pra ele
mesmo”.
Talvez isso te leve a acreditar que não era boa o suficiente, que agiu
como uma doida desconfiada, mas tu não pode esquecer nunca em como uma situação
que te deixa insegura pode abalar a tua autoestima e essa mesma insegurança
pode afetar até o teu dia-a-dia, onde tu não é mais tu e passa a não acreditar mais
em si mesma.
É importante saber que a “indecisão de alguém” não pode durar mais do
que alguns dias.
Nunca, jamais, “a indecisão de alguém” pode durar mais de um
mês, senão isso tem outro nome: canalhice.
Fuja disso! Não somos inferior a ninguém, somos maravilhosas e sobreviventes, não precisamos desse tipo de
relação.
É preferível “ir embora” e ficar sozinha nesse novo mundo moderno, mas
sabendo que um dia, bem no passado, tu já foste um tudo para alguém.
Melhor não ser nada para ninguém do que ser só mais uma, ou deixar que
te façam se sentir só mais uma.
E algumas irão concordar comigo que não é melhor ter só mais um, há um tudo pra ti.
Se o que pensamos que poderia ser o nosso tudo agiu como só mais um, é porque talvez é o que ele seja.
E bola pra frente, somos mulheres e sempre teremos umas as outras.
Trilha: Pearl Jam - Just Breathe
Texto: Crisane Michel