Não é segredo pra ninguém que tenho problemas que me causam
dores crônicas, Neuralgia do Trigêmeo e Disfunção Têmporomandibular (DTM).
A DTM foi ocasionada por algum trauma, possivelmente ainda
na infância, que deslocou a minha mandíbula, de forma que desde então eu a
desloco, sem querer e sem perceber, a todo o momento diversas vezes por dia
(falando, mastigando, ...). Por isto, a minha cartilagem da articulação
têmporomandibular (ATM) se desgastou de tal forma que já tenho desgaste ósseo
considerável, dos ossos da mandíbula, bilateralmente.
Há anos isso me causa muita dor, daquelas de querer estourar
os meus miolos pra ver se alivia a dor, que é insuportável. Já estive
hospitalizada por quase uma semana para uso de morfina por causa deste
problema. De tempos em tempos eu faço tratamento com codeína + paracetamol.
Em 2016 fiz uma cirurgia que lavou a ATM e os ossos da região,
chamada Artrocentese Bilateral, e me deu um alívio por alguns meses e pude fazer
fisioterapia.
A fisioterapia se faz muuuito necessária e fazendo com um
profissional certo tem um ótimo resultado, pois devido a dor intensa acabei
retesando muito a musculatura da região e fiquei com má postura, o que acabou
agravando as dores, pois passei a ter dores musculares na região também. A
fisioterapia também ajuda a colocar a mandíbula no lugar, e com o tempo vai
corrigindo o que antes só podia ser corrigido com procedimento cirúrgico.
Meu rosto ficando torto e dores cada vez mais fortes, e com
a necessidade de trabalhar (e apesar de mais ouvir no trabalho do que falar, é
claro que preciso falar), estava fazendo uso contínuo de antiflamatórios e adivinha
se não tive uma úlcera?
Esses problemas de saúde realmente não são segredos e estou tratando (e tem solução, por incrível que pareça!!!), mas uma
coisa que não conto é que faço tratamento contra depressão.
Iniciei há cinco
anos, após sofrer assédios graves no meu “novo emprego” da época, e isso
associado a dores intensas me deixaram realmente bem deprimida.
O Bucomaxilofacial que me trata, devido a impossibilidade de
continuar tomando antiflamatórios, mandou cartinha ao meu psiquiatra, para
tentarem chegar num consenso sobre as medicações que eu deveria tomar. Por fim,
ele, o psiquiatra (não era o mesmo de 5 anos atrás, pois o primeiro saiu do Plano), trocou o antidepressivo que tomava por outro que também era usado para
tratamento contra dores crônicas, além, é claro, de ter efeito antidepressivo. Isto
foi por volta de agosto de 2018 e desde então tenho crises bem esporádicas de
dor, com bem menos frequência. Realmente é um bom remédio contra dores crônicas.
Por volta de novembro eu acho, o psiquiatra, que me via de dois em dois meses (mais pra me dar receita mesmo), saiu do meu
Plano de Saúde, e passei a ser atendida por outra bem legal, que
parecia mais interessada em saber de mim do que o anterior. Isso foi realmente
sorte, pois eu não estava mais me sentindo “normal”.
Estava ficando deprimida e
irritada. E ela foi aumento a dose da medicação. Até então eu tomava 60mg (dose que iniciei), então ela aumentou
para 90mg e depois para 120mg, sendo essa última a dosagem máxima possível
daquela medicação. Nada estava adiantando e eu só piorava...
Cada vez com mais tristeza, mais ansiedade, mais
insatisfação em tudo, medo e impaciência. Até uma crise de síndrome de pânico eu tive
depois de três anos sem ter!
Até que em maio deste ano ela me disse que a medicação que tava tomando estava errada.
Ou seja, não estava agindo como antidepressivo, mas somente contra a dor
crônica. Senti um certo alívio, pois então eu não era tão culpada por estar ferrando com a minha vida!
Ela então baixou a dose da medicação para 60mg, mantendo-a (por causa
da ação contra a dor), e me receitou outro antidepressivo que parece já estar
produzindo algum efeito.
Porém, desde que foi trocada a medicação lá na primeira vez, em agosto,
pelo psiquiatra que saiu do Plano, eu regredi consideravelmente de uma forma que
eu nem parecia mais eu mesma de tão triste e sem ânimo... e até mais crises de
dores sofri.
Me prejudiquei no trabalho, numa relação afetiva, numa relação de amizade, e por mais que sinta uma melhora e reconheça que estou recuperando tudo, fica difícil não pensar no quanto o médico que trocou a minha medicação foi irresponsável ao não acompanhar mais de perto a troca da medicação, e ao sair do Plano não me avisou e nem deu qualquer recomendação sobre o fato. Eu jamais desconfiaria da medicação, até que uma profissional competente percebeu e corrigiu a situação, e me acompanha bem de perto para regular a dosagem.
Me prejudiquei no trabalho, numa relação afetiva, numa relação de amizade, e por mais que sinta uma melhora e reconheça que estou recuperando tudo, fica difícil não pensar no quanto o médico que trocou a minha medicação foi irresponsável ao não acompanhar mais de perto a troca da medicação, e ao sair do Plano não me avisou e nem deu qualquer recomendação sobre o fato. Eu jamais desconfiaria da medicação, até que uma profissional competente percebeu e corrigiu a situação, e me acompanha bem de perto para regular a dosagem.
Imagina quanta gente morre por ser atendida de qualquer
jeito por uma pessoa que se forma num curso difícil e aparentemente não liga a mínima para a
própria profissão e menos ainda para as vidas que dependem dele. Pra mim, o que aconteceu comigo foi sim um erro médico, e dos bem sutil, ou no mínimo negligência. Já não basta
uma corja de políticos e ricos (tô falando dos ricos de verdade) que só se preocupam com os próprios umbigos, temos que lidar
diariamente com pessoas que são igualmente egoístas.
Tempos sombrios estes.
Empatia se faz necessária... mais do que nunca.
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